domingo, 13 de maio de 2012

Pensamento Pedagógico Brasileiro

No Brasil Rui Barbosa foi quem introduziu as ideias da escola nova em 1882, destacaram  especialmente após a divulgação do manifesto dos pioneiros da educação nova Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo. O manifesto surgiu em uma época de conflito entre os adeptos da Escola Renovada e os católicos conservadores, que detinham o monopólio da educação elitista e tradicional.

O pensamento pedagógico brasileiro começa a ter autonomia apenas com o desenvolvimento das teorias da Escola Nova. A criação da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924, foi fruto  do projeto liberal da educação, como um grande otimismo pedagógico antes disso, nossa pedagogia era reproduzida pelo pensamento religioso medieval.
O movimento anarquista também teve interesse na educação no início do século. Para os anarquistas, a educação não era o principal agente desencadeador do processo revolucionário, mas seriam necessárias mudanças na mentalidade das pessoas para que a revolução social fosse alcançada.
No início da década de 90 , o discurso pedagógico foi enriquecido com temas como a diversidade cultural, diferenças étnicas e de gênero, ganham espaço.

A título de síntese, o pensamento pedagógico brasileiro tem sido defendido por duas tendências gerais: a liberal e a progressista.



O Pensamento Pedagógico Brasileiro Progressista

Os educadores e teóricos da educação progressista defendem o envolvimento da escola na formação de um cidadão crítico e participante da mudança social. Segundo Libâneo, a pedagogia progressista designa as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação.



Tendências Progressista Libertadora

As tendências progressistas libertadora e libertária têm, em comum, da autogestão pedagógica e o antiautoritarismo. A escola libertadora também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire, vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. No contexto da luta de classes, o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido, a condição para se libertar da exploração política e econômica, através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. Por isso, a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia, situando-se também no campo da economia, da pol´tica e das ciências sociais, conforme Gadotti.



Tendência Progressista Libertária

A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas, por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. Visa a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. . No ensino da língua, procura valorizar o texto produzido pelo aluno, além da negociação de sentidos na leitura

Diferentemente da libertadora e libertária a Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos, admite-se o princípio da aprendizagem significativa, partindo do que o aluno já sabe. A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese, isto é, quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto, visando a participação organizada e ativa na democratização da sociedade.

  






                                                                         
                                                                            



     

                         







Paschoal Lemme: Educação política x Instrução

Com ele podemos dizer que se inicia o que chamamos de "pensamento pedagógico progressista".
Defensor do ensino público universal, gratuito e obrigatório, como responsabilidade básica do Estado. Sua tese central é a de que não existe educação democrática e não ser numa sociedade democrática.
Primeiro educador marxista brasileiro.

Principais obras: A educação na URSS (1956), Problemas brasileiros de educação (1959), Educação democrática e progressista (1961) e Memórias (1988) em 3 volumes


Acervo Digital Paschoal Lemme

Domínio Público: Obra

Álvaro Vieira Pinto: O Caráter antropológico da educação

O pensamento pedagógico de Vieira Pinto supõe que a educação implica uma modificação de personalidade e é por isso que é tão difícil aprender. Ela modifica a personalidade da educação, ao mesmo tempo que vai modificando a do aluno, e ainda que a educação reflita a totalidade cultural que a cotidiana, é também um processo autogerador de cultura.

Principais obras: Consciência e realidade nacional, Ideologia e desenvolvimento nacional, A questão da universidade, Sete lições sobre a educação de adultos (1982), Ciência e existência.

Rubem Alves: Aprendizagem é prazer

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas..."
 Para esse pensador, o educador deve levar em conta os desejos, as fantasias, em fim, o interior de cada criança. Ao invés disso, a criança é vista como um meio de desenvolvimento da sociedade e na sala de aula, muitas vezes, elas são domesticadas visando a utilidade social. Com uma visão centrada em produtividade, na maioria das vezes, os professores e até mesmo os próprios pais encaram os brinquedos como algo inútil, mas não leva em conta o prazer da criança. Para ele, é só do prazer que surge a disciplina e a vontade de aprender, já que só aprendemos aquelas coisas que nos dão prazer. O esquecimento, a recusa em aprender é, portanto, uma demonstração de inteligência; é a forma que tem a cabeça em de preservar a saúde quando o desagradável é despejado lá dentro.
Este educador diz que o professor deve causar espanto, curiosidade na criança ou adolescente, e não dar respostas prontas, pois elas estão nos livros e na internet. O professor que causa a curiosidade em seus alunos, acaba desenvolvendo o gosto destes pela leitura. Hoje, ele é psicanalista e escreve contos para crianças. 

Veja no you tube o que ele diz nessa entrevista sobre a postura ideal do professor: 
http://www.youtube.com/watch?v=_OsYdePR1IU&feature=related&noredirect=1


                         Maurício Tragtenberg: A Educação Libertária



"Na escola, ser observado, olhado, contado detalhadamente passa a ser um meio de controle, de dominação, um método para documentar individualidades. A criação desse campo documentário permitiu a entrada do indivíduo no campo do saber e, logicamente, um novo tipo de poder emergiu sobre os corpos”.
      
          O pensamento de Tragtenberg na educação mostra os limites da escola como instituição disciplinadora e burocrática e as possibilidades da autogestão pedagógica como iniciação à autogestão social. A burocracia escolar é poder, repressão e controle. Critica tanto os países capitalistas quanto os socialistas que desencantaram a beleza e a riqueza do mundo e introduziram a racionalização sem sentido humano. A burocracia perverte as relações humanas, gerando o conformismo e a alienação.
         As propostas de tragtenberg mostram as possibilidades de organização das lutas das classes subalternas e de participação política do trabalhador na empresa e na escola visando a reeducação dos próprios trabalhadores em geral e dos trabalhadores em geral e dos trabalhadores em educação.
         A peculiaridade da pedagogia libertária se expressa pelo questionamento de toda e qualquer relação de poder estabelecida no processo educativo e das estruturas que proporcionam as condições para que estas relações se reproduzam no cotidiano das instituições escolares. É de conhecimento geral, a tese de que a interação entre os diversos personagens que atuam no espaço escolar reproduzem as relações sociais predominantes na sociedade. Deste ponto de vista, Tragtenberg se coloca a seguinte questão: “Conhecer como essas relações se processam e qual o pano de fundo de ideias e conceitos que permitem que elas se realizem de fato”. Sua análise busca aprender como a escola atua enquanto “poder disciplinador”, pois, conforme afirma o filósofo Michael Foucault, “a escola é o espaço onde o poder disciplinador produz saber”. (TRAGTRENBERG, 1995, 40)
         Principais Obras: Administração, poder e ideologia (1980); Sobre educação, política e ideologia (1982) e Burocracia e ideologia (1974).